quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A Gina me assusta


Sempre tive problemas com o cotidiano. Acho que meia humanidade deve ter, mas comigo, o que me aflige realmente são as pequenas coisas, aquelas que ficam escondidas debaixo do tapete, aquela que está nas paredes úmidas quando chove demais, mas principalmente naquilo que está a tanto tempo que ninguém mais nota. Quer um exemplo? Gente que palita os dentes depois do almoço em público. O mundo está cheio dessas pessoas e ninguém se dá conta de que palitar os dentes em público é, além de feio e nojento, algo que fere com a sutileza de uma paulada, a mínima etiqueta à mesa. Não é frescura gente, é ruim de olhar de saber...você já usou aparelho nos dentes? Quem usou sabe que o chato de tudo é dar risada depois de ter comido. Mas até quem usa, cria um hábito perfeito que é, após as refeições, se levantar e ir ao banheiro. Lá sim, saca de uma bolsinha uma bela escova de dentes uma pasta pequena, pode ser qualquer uma, não interessa a marca. Mas escova lá dentro, lá dentro daquela salinha azulejada, onde as pessoas costumam fazer o que não fazem em público (ainda).
Sabendo disso, não é claro que mãe ensine pro filho, e pros amiguinhos que escovar os dentes é perfeito? E que palitos de madeira além de contribuir para o desmatamento, são absolutamente prejudiciais ao esmalte dos dentes. Pergunta pro seu dentista.
E mais..porque quem palita os dentes com uma das mãos, fica com a outra cobrindo? Pra que? Pra que cobrir se todo mundo sabe que vc ta palitando os dentes?
Hoje mesmo eu vi. Quatro moças numa mesa terminando de almoçar. Tudo estava em ordem se não fossem os palitos que com a agilidade de um espadachin mudavam de um canto a outro da boca. Quem olhava de longe via que as moças tinham um certo jeito comportado, todas de salto alto, terninhos, cabelos lisos e palito na boca. Em seguida um casal logo ao lado quase fazia uma disputa para ver quem tirava o maior naco da boca entre risadinhas e mastigares. À frente, de pé, um homem novo, perto dos quarenta enfrentava a fila , bem vestido, cabelo penteado para o lado e..palito pro outro. O almoço na verdade parecia uma conferência de Palitadores de Dentes. Naquele momento, o mundo palitava os dentes.
Fiquei pensando em levantar e colocar a minha escova de dentes em público...só pra ver no que ia dar. Mas fiquei ali pensando, se faço, me entrego. E afinal é a diferença que nos separa dos macacos, ah sim tem o dedo opositor também. Mas cá entre nós, palitar os dentes não fere ninguém (exceto a gengiva), mas bem que poderia ser proibido, ao lado da plaquinha de proibido fumar estaria: proibido palitar em público. Perfeito! Enquanto a idéia não vem ...eu continuo odiando a Gina.

sábado, 18 de abril de 2009

Garganta

Amanheci com dor de garganta..amanheci e anoiteci, sim porque já faz quatro dias.Uma vez me disseram que a garganta dói em gente que deixa de falar alguma coisa. Aí tô aqui pensando o que seria mais ou menos...E não descobri, acho que uma frase entalada, e imagno que uma palavra fora de hora pode causar.
Hoje me sinto mais tranquila, ou como escrevi "sou controlada, assim como minha medicação". Minhas mãos estavam trêmulas e uma amiga disse: deve ser a fera tentando sair. Nem eu sabia que ela ainda tava acordada. Achei bom porque enquanto penso no que ainda não disse, não me sinto afoita, me sinto tranquila. POrque sei bem como é errar o tom, errar a letra da música, e já não gosto tanto da emoção besta que me trazia.
Então, pra não errar, espero um pouco e tomo pequenos goles, como num cafezinho. E vem a próxima frase, a próxima deixa. Vivo aos poucos.
Não consigo mais fixar o pensamento em nada de grave, parece que o processo se interrompe. ACho que talvez por isso não esteja escrevendo. Quero passar por isso, por essa fase...como quem implode um prédio e recomeça. A poesia me distrai, desocupa e hoje, preciso estar atenta..porque ainda não descobri o que me falta dizer.

domingo, 8 de março de 2009

Sinônimos

"Logo eu que não tenho sinônimo..."Terminei de ler "Um sopro de vida" depois de ser boicotada na leitura durante uma semana. Acho que preciso comprar esse livro, sabe pra ter guardado...acho que é estranho mas diz muitas coisas a meu respeito...tá bom e mais sobre um monte de gente esquisita que conheço...
"Eu, gazela espavorida e borboleta amarela. Eu não passo de uma vírgula na vida. Eu que que sou dois pontos.." Aí uma amiga lembrou do que escrevi.."não sou rima, sou pausa". E aí pensei, pensei, me gastei tanto de pensar e descobri que se a gente descobre tudo agora no começo..talvez o fim não tenha graça. Como passar o dia na praia e depois ver amanhecer. A agente sabe que vai ser absurdo de lindo, mas vai que chove?
Tô exausta de tanto achar. Me perdi. Essa semana vou dar um jeito nessa falta de serotonina.

Mas voltando ao sinônimos, já parou para pensar neles? Esses dias estava olhando essas duas pequenas criaturas que moram aqui. Olhei cada detalhe, os fios de cabelo novos, a pele sem marcas, a risada recém inaugurada. E achei que talvez parecessem com doçura, achei pareciam uma manhã de folga, com cheiro de chuva.
Aí comecei ler "O perfume" (antes tarde que nunca) e lá tinha uma ama seca que dizia que s crianças tinham cheiro de caramelo. Perfeito...açucar queimado! Acho que os dois..um é uma bolacha recheada e a outra é algodão doce...sinônimos tão perfeitos da doçura!
E eu me divirto.
Logo eu que não sou nem muito nem pouco.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Só hoje

Tá bom, agora que me animei com essa coisa de escrever aqui e ali me aguentem. Sobre os meus dias ? Hoje, especialmente pude observar mais um capítulo da pequeneza humana...áh essa sim, quanto tempo a gente demora pra perceber.
Uma amiga um dia me disse que no fundo somos todos gafanhotos..me entristeci. Gosto de pensar que algns são borboletas, outros lagartas e o resto, o resto, como diz Cony...deixo para o pobres.
Me arrepia o poder e talvez me espate mais com o que percebo hoje, lembrei do Mogli daçando com o Balu e cantando: "somente o necessário, eu disse necessário". Então eu vou aprendendo aos poucos como lidar com coisas e pessoas que simplesmente desconsidero. Esses dias poderiam vir com Nina Simone cantando..."you know how i feel...it´s a new day for me e and i´m feeling good".
Eu sei que pássa, que vai durar pouco tempo essa raiva de gente pequena e miúda que adora varejar, estar perto de quem tem e nunca ter nada, nem o necessário. É gente que se diz de bem, que disfarça, que mente, que acha mas nunca diz pra não perder a linha, que nunca nunca conta uma piada sem graça (porque ri antes de termiar), que nunca sai da linha, que nunca dançou na sala sozinho, nem deixou queimar um arroz no meio do churrasco. Mas sempre está na sombra, esperando um restinho, uma migalha.
E depois me perguntam por que vivo falando em lança-chamas. Mas hoje, hoje não. Hoje, fui tomar duas bolas de sorvete e me convenci que o dia pode terminar bem melhor que começou.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Dia depois da chuva

Acordei num silêncio de dar dó. Estou cansada de mim, queria me mudar, me reinventar, me admitir. Mas não posso, porque minha alma é gigante e não cabe em mim. Não posso porque não sou uma só, porque não nasci assim, me tornei uma hipótese, uma invenção. Porque tenho camadas, e pensamentos indizíveis. Porque tenho saudade do que não me pertence, sinto falta do indevido e também porque sou obrigada a ficar, por razões muito simples e humanas. Mas acho no fundo um disparate essa negação, essa coisa comedida que me submeto. E tenho um pavor de parar e acabar me ouvindo gritando, bem aqui dentro, bem aqui no peito.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Um filme para Teodoro

Então gente, depois de trocentos meses andando de lado...feito siri...é siri que anda de lado? Acho que não, enfim...consegui uma alma ótema que fotografou os meus trabalhos durante a exposição no SESC e no Shopping JL durante uns quatros meses.

Sim, porque alguém tem que fotografar as obras né gente (já que não conheço nenhum fotógrafo profissional! rs) a Magali, uma moça muito da gente boa que ama gatos , fez a gentileza de fotografar um a um os quadros e outra amiga dela, a Claudia Porto montou uma espécie de filminho. Os cartazes com a história coloquei meio pra explicar a história de vida do Teodoro.
Às vezes me surpreendo.

Acessem e curtam!


Exposição de Daniela Valiente em Foz do Iguaçu, com fotos de Magali Nosete e Cezar Vianna, em vídeo by Claudia Porto. :)

http://video.google.com/videoplay?docid=-6189543869031050457



UM TEODORO DE VERDADE!


Não poderia deixar de citar mais uma vez a Magali que relatou uma história daquelas. Quando ela foi visitar a exposição no shopping tirou fotos, se empolgou toda. O fato é que a Magali tem uma pá de gato na casa dela, e no dia seguinte à exposição um gato preto todo lascado apareceu miando no portão no meio da tempestade...ela pensou na hora: "É o Teodoro!" Abriu o portão e resgatou o bichano. Sorte dele que agora tem um lar, e minha, que apesar de nunca poder ter um Teodoro de carne e pêlo, ganhei um afilhado!